Ensaiei por longos anos, mas sempre acabava vencido pela tradição, apelo sentimental “vou deixar o bichinho sem o objeto de desejo…”, o escambau…
Agora, não me rendo mais.
Está decidido. Ovo de páscoa é capricho extinto em casa.
Pelo menos da parte que me cabe neste latifúndio consumista.
Mas, confesso não ter sido fácil romper com este padrão.
Titubeei, quase fraquejei.
Ainda na véspera do Domingo de Páscoa, impulsionado pelo clamor midiático e sentimento de culpa cristã (esta maldita amarra) cheguei a ir em busca da Salvação (“A glóriaaaaa”).
Passei na primeira Cacau Show, estava fechada, com um cartaz na porta indicando as outras unidades próximas em funcionamento.
Mais uma “estratégia do inimigo” para atiçar em mim, não um, mas todos os sete pecados capitais…
Aquele “ingrediente do mal” para apimentar minha ânsia de comprar, conseguir, alcançar o produto desejado.
Chego a segunda loja, aquela fila enorme e a informação de que não haveriam mais trufas, a minha alternativa primária, o creme de La creme a substituir os famigerados Ovos.
Mas, só restavam os tais ovos nas prateleiras…
Um diabinho me puxava pra dentro, outro me buzinava que eu deveria correr dali.
Dei ouvidos ao capetinha rebelde e corri ao próximo supermercado para complementar m eu plano alternativo elaborado dias antes.
Já tinham algumas guloseimas adquiridas em combos promocionais e bastava reforçar o estoque.
Lá catei chocolates de todos os tipos, gostos e aromas, consegui embalagem Premium no setor de bebidas, em casa cortei uns barbantes de embalagens anteriores, arrumei uma caixa-presente reutilizada e BINGO!!
Estavam formados meus kits para a páscoa familiar.
Com um plus de ter quase cinco vezes mais chocolate do que o contido em um mero, miserável e explorador mimo pascoalino.
Brindes entregues, satisfação geral de filho e mulher (pelo menos fingiram bem).