Cada um com sua Galinha dos Ovos de Ouro

Publicado em: 24/04/2026

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Ensaiei por longos anos, mas sempre acabava vencido pela tradição, apelo sentimental “vou deixar o bichinho sem o objeto de desejo…”, o escambau…

Agora, não me rendo mais.

Está decidido. Ovo de páscoa é capricho extinto em casa.

Pelo menos da parte que me cabe neste latifúndio consumista.

Mas, confesso não ter sido fácil romper com este padrão.

Titubeei, quase fraquejei.

Ainda na véspera do Domingo de Páscoa, impulsionado pelo clamor midiático e sentimento de culpa cristã (esta maldita amarra) cheguei a ir em busca da Salvação (“A glóriaaaaa”).

Passei na primeira Cacau Show, estava fechada, com um cartaz na porta indicando as outras unidades próximas em funcionamento.

Mais uma “estratégia do inimigo” para atiçar em mim, não um, mas todos os sete pecados capitais

Aquele “ingrediente do mal” para apimentar minha ânsia de comprar, conseguir, alcançar o produto desejado.

Chego a segunda loja, aquela fila enorme e a informação de que não haveriam mais trufas, a minha alternativa primária, o creme de La creme a substituir os famigerados Ovos.

Mas, só restavam os tais ovos nas prateleiras

Um diabinho me puxava pra dentro, outro me buzinava que eu deveria correr dali.

Dei ouvidos ao capetinha rebelde e corri ao próximo supermercado para complementar m eu plano alternativo elaborado dias antes.

Já tinham algumas guloseimas adquiridas em combos promocionais e bastava reforçar o estoque.

catei chocolates de todos os tipos, gostos e aromas, consegui embalagem Premium no setor de bebidas, em casa cortei uns barbantes de embalagens anteriores, arrumei uma caixa-presente reutilizada e BINGO!!

Estavam formados meus kits para a páscoa familiar.

Com um plus de ter quase cinco vezes mais chocolate do que o contido em um mero, miserável e explorador mimo pascoalino.

Brindes entregues, satisfação geral de filho e mulher (pelo menos fingiram bem).

 

pra tu da uma

de pensador

Aquela ilusória, mas gostosa sensação de quebrar o sistema e mandas às favas esta tal tradição cristã-ocidental  (“Chupa Silas Malafaia”)!

Logo o Instagram, este destruidor de ilusões, me avisa ruidosamente que a Cacau Show atingiu, apenas no domingo sacro, a incrível marca de 300 milhões de reais em vendas.

Tudo isso de chocolate.

Mais, majoritariamente, de OVO de chocolate!

OVOS de Páscoa!

Nem precisaram da minha recaída em tentação para “nadarem no cacau”, com o perdão do trocadilho!

Antes que venham os aloprados de plantão questionar minha visão sobre empreendedorismo: “o que há de mais em celebrar sucesso de um negócio? é crime ser rico no Brasil?”

Óbvio que não.

E ainda alcançaram este resultado em um governo comunista?

Vejam vocês…

Assim como a Havan e seu lucro bilionário recorde no ano passado.

O Véi nem quer mais fugir do Brasil e levar suas bugigangas para os Isteites…

Voltando a farra do chocolate

Calma, não estou falando da lavagem de dinheiro do Flávio Bolsonaro, na sua lojinha com nome de capital escandinava, que vendia mais em espécie do que no cartão, com pagamentos in cash que chegavam a bagatela de dezenove mil reais em uma única compra!?!

“Mim (sic) dê papai!”

Fato é que o côro comeu, digo “o cacau caiu”, a calda escorreu no parangolé que celebrava a Páscoa milionaríssima da Cacau Show.

CEOs, alta cúpula, executivos em geral gritando em êxtase, se estapeando, braços erguidos em punho para o céu e uma banda (provavelmente de membros da elite cacauísta) tocando ao fundo: Que país é este?

Nenhum, nenhum mísero colaborador, funcionário, operário padrão nas imagens, afinal, muito provavelmente, estavam garantido, naquele momento a ultrapassagem da marca dos 300 milhões.

Nem sei se sobrou algum trocado de participação nos lucros para os vendedores, linha de frente da Cacau Show, mas ainda acreditam que “o Brasil vai ficar rico, vamos faturar um milhão, quando vendermos todas as almas… no leilão”.

Escrito por: Marcos Thomaz