Os dois principais chefes de executivo paraibanos, que até “ontem” estavam lado a lado, mexendo as peças do tabuleiro em direção a uma acirrada disputa eleitoral, agora capitaneiam militâncias opostas.
Vamos tentar reestabelecer um pouco deste contexto até aqui:
CÉU DE BRIGADEIRO
Para concorrer ao Senado, João Azevedo deixou a cadeira mais cobiçada da Paraíba para o vice Lucas Ribeiro, que tentará reeleição.
O governador do PSB seguiu o rito tradicional, tratando de eleição apenas quando o calendário, ou a pressão da imprensa assim exigiu.
Sendo questionado a respeito sempre admitiu que era pré-candidato ao Senado, sem oba-oba antes da hora, ou desvio de função e finalidade do alto cargo que ocupava.
Até o momento da desvinculação, João Azevedo portou-se como governador da Paraíba de fato e direito: despachando, fiscalizando, inaugurando e assinando ordem de serviços no Estado que, durante todo o seu mandato figurou dentre os com melhores índices e maior taxa de crescimento do Brasil.
AOS TRANCOS E BARRANCOS
Já Cícero Lucena abriu mão de quase três anos de mandato a frente da maior, mais rica e importante cidade, a capital paraibana, na avidez de voltar a ser Governador.
E eu digo quase três anos tomando como marco a data da desvinculação exata, porque na prática, Cícero mal assumiu a PMJP o segundo mandato.
Cícero causou a ruptura da aliança com o grupo governista estadual ao, forçosa e antecipadamente, nem bem com seis meses de posse no segundo mandato seguido (quarto no cômputo geral) se lançar publicamente e passando por cima de tudo e todos como pré-candidato ao governo estadual.
A guinada brusca e intarnsigente sequer respeitou normas tácitas do jogo político ao atravessar o natural sucessor ao governo da PB, o vice Lucas, seu companheiro de partido.
Aquela deflagrada rasteira clássica, despudorada.
Iniciou-se ali o uso exaustivo de sua principal plataforma de campanha (as estratégias da velha política): propaganda massiva de ações que não saíram do papel, apelo religioso etc e coisa e tal.
Teve até um “livramento” em vôo vindo do caminho sagrado de Santiago de Compostela, alardeado como a “mão divina” protegendo o “escolhido”.
Até para ratificar sua desistência do mandato de prefeito de JP para se lançar candidato a governador, Cícero recorreu aos velhos artifícios de outrora.
Clima de total suspense na semana limite do prazo, coletiva anunciada para criar expectativa, gerar sensação de lamento entre adeptos e…
Conseguiu o que queria, atrair todos os holofotes para a sua manobra!
Indisfarçavelmente, pela ganância do comando estadual, Cícero abdica (literalmente) da gestão da capital.
Lançou-se estado à dentro em busca de apoios, largando a gestão de João Pessoa ao ‘léo’, não o Azevedo (então seu vice e atual prefeito), mas no estrito sentido do léxico, que é sinônimo de abandono mesmo.