Lá e Lô: No tabuleiro paraibano a Eleição já está acontecendo

Publicado em: 24/04/2026

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O ano até parecia ter, de fato, começado…

Carnaval passou, páscoa acabou, o menino Jesus ressuscitou..

Até no campo profano da vida, a política, as pedras começaram a rolar…

E aí, é literalmente, PEDRA SOBRE PEDRA!

E digo mais, após longa gestação, o novo blog, este reduto mal frequentado aqui, retomou as atividades.

Ô bença!

Então, claro, com tantos “sinais, fortes sinais”,  que um novo tempo se anunciava e 2026, definitivamente, dava start,  certo?!?!

Será?

O meu brasileirismo inveterado me lembra que “há uma Copa do Mundo no meio do caminho”.

“Pra frente Brasil, salve a Seleção!”

Um mês inteiro de país operando à “meia bomba”, lamentando a ausência de Neymar e outras mumunhas inglórias.

Noves fora estes percalços, o calendário eleitoral obrigou as peças a serem movidos no tabuleiro político.

A campanha não começou oficialmente, mas o jogo já está sendo jogado pra valer.

Apenas para aferir a temperatura política local, os dois principais chefes de executivo locais se afastaram das funções para concorrer no pleito de outubro.

Logo, o Governo da Paraíba e a Prefeitura Municipal de João Pessoa tem novos comandantes.

Mas, há muito o que se abstrair da forma de conduzir de ambos apenas neste gesto simbólico de desincompatibilização.

pra tu da uma

de pensador

Antes que os gaiatinhos venham tentar desabonar minha polida imagem, com acusações infundadas de discurso coach, saibam que eu tenho aproach (valeu Baleiro).

Fato é que é muito representativo a forma como ambos (Cícero e João) guiaram as próprias rotas na saída dos mandatos.

Os movimentos de ambos dizem muito sobre as ambições, perspectivas, projetos e capacidade dos dois gestores.

Os dois principais chefes de executivo paraibanos, que até “ontem” estavam lado a lado, mexendo as peças do tabuleiro em direção a uma acirrada disputa eleitoral, agora capitaneiam militâncias opostas.

Vamos tentar reestabelecer um pouco deste contexto até aqui:

CÉU DE BRIGADEIRO

Para concorrer ao Senado, João Azevedo deixou a cadeira mais cobiçada da Paraíba para o vice Lucas Ribeiro, que tentará reeleição.

O governador do PSB seguiu o rito tradicional, tratando de eleição apenas quando o calendário, ou a pressão da imprensa assim exigiu.

Sendo questionado a respeito sempre admitiu que era pré-candidato ao Senado, sem oba-oba antes da hora, ou desvio de função e finalidade do alto cargo que ocupava.

Até o momento da desvinculação, João Azevedo portou-se como governador da Paraíba de fato e direito: despachando, fiscalizando, inaugurando e assinando ordem de serviços no Estado que, durante todo o seu mandato figurou dentre os com melhores índices e maior taxa de crescimento do Brasil.

AOS TRANCOS E BARRANCOS

Cícero Lucena abriu mão de quase três anos de mandato a frente da maior, mais rica e importante cidade, a capital paraibana, na avidez de voltar a ser Governador.

E eu digo quase três anos tomando como marco a data da desvinculação exata, porque na prática, Cícero mal assumiu a PMJP o segundo mandato.

Cícero causou a ruptura da aliança com o grupo governista estadual ao, forçosa e antecipadamente, nem bem com seis meses de posse no segundo mandato seguido (quarto no cômputo geral) se lançar publicamente e passando por cima de tudo e todos como pré-candidato ao governo estadual.

A guinada brusca e intarnsigente sequer respeitou normas tácitas do jogo político ao atravessar o natural sucessor ao governo da PB, o vice Lucas, seu companheiro de partido.

Aquela deflagrada rasteira clássica, despudorada.

Iniciou-se ali o uso exaustivo de sua principal plataforma de campanha (as estratégias da velha política): propaganda massiva de ações que não saíram do papel, apelo religioso etc e coisa e tal.

Teve até um “livramento” em vôo vindo do caminho sagrado de Santiago de Compostela, alardeado como a “mão divina” protegendo o “escolhido”.

Até para ratificar sua desistência do mandato de prefeito de JP para se lançar candidato a governador, Cícero recorreu aos velhos artifícios de outrora.

Clima de total suspense na semana limite do prazo, coletiva anunciada para criar expectativa, gerar sensação de lamento entre adeptos e…

Conseguiu o que queria, atrair todos os holofotes para a sua manobra!

Indisfarçavelmente, pela ganância do comando estadual, Cícero abdica (literalmente) da gestão da capital.

Lançou-se estado à dentro em busca de apoios, largando a gestão de João Pessoa ao ‘léo’, não o Azevedo (então seu vice e atual prefeito), mas no estrito sentido do léxico, que é sinônimo de abandono mesmo.

Escrito por: Marcos Thomaz