Não vá dizer que não avisei

Publicado em: 29/05/2026

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Ainda menino (quando era criança pequena lá em Buerarema) me atormentava a clássica frase materna: “Eu ‘num’ disse?!?”

Senha para revelar um vacilo mirim, ou mesmo escorregão da juventude, aquela fase já barbado e cheio de certezas vazias da vida!

Pois bem, nem é do meu feitio o espírito revanchista mas, devo anunciar aos incautos, que este espaço aqui, inaugurado agora, será sim palco de minha redenção ao melhor estilo: “EU AVISEI”.

Não que me agrade fazer às vezes de portador da desgraça…

Mas nesta quadra miserável da história, em que o óbvio ululante é desprezado pela “geral”, mesmo, escandalosamente salta aos nossos olhos, em que o evidente é camuflado por teorias estapafúrdias que se espalham do seu zap até postos de poder, é imperativo remontar:

-Eu num disse? – balbucia lá distante a voz de mainha

É tempo de TREVAS, juventude!

Mas, poucas coisas prosseguem século adentro e afora tão tenebrosas que a situação da minha querida Cabedelo.

Sim, querida, com propriedade, afinal voltei a ser morador desta península paradisíacanaturalmente, e amaldiçoada administrativamente!

Há menos de um ano eu escrevia sobre a cassação do prefeito empossado à época, há seis meses (texto na íntegra ao lado, ou aqui —————————————- para os preguiçosos).

Isso resultou na eleição suplementar municipal de Cabedelo!

Uma micareta eleitoral realizada mês passado na cidade da Grande João Pessoa.

O povo foi lá, escolheu o novo prefeito e…

Opa, pausa no tempo…

Escolheu entre aspas afinal MAIS DE 50% DOS CABEDELENSES se recusaram a escolher um ou outro candidato.

“Nem , nem crê”, diria vozinha.

Isso mesmo, mais da metade da população da “Cidade Portuária” não queria nenhum das duas opções no poder.

Foi a sabedoria popular (isso ainda existe?) se recusando a participar desta patifaria.

“Sinais, fortes sinais…”

Nada mais justificável em uma cidade que, desde a primeira década deste milênio convive com todo tipo de escândalo, desmantelo e avacalhação.

Afinal estamos falando de Cabedelo, a cidade que, em um tempo não muito distante, foi vendida de porteira fechada à iniciativa privada!

“Pense num absurdo, aqui tem precedente…”

pra tu da uma

de pensador

Prefeito, quase uma dezena de vereadores, dono da maior rede de shoppings da capital, radialista, empresários diversos, entranhados em um mega-esquema dentre outros objetivos buscava evitar a construção de um shopping center concorrente ao empresário Roberto Santiago, citado e condenado na investigação.

Pois bem, hodiernamente (recebam um atualmente rebuscado na zureia), mais precisamente, dois dias depois o eleito (Edvaldo Neto), foi afastado do cargo de prefeito.

Em seu lugar permaneceu José Pereira, que como presidente da Câmara Municipal já ocupava desde a cassação do senhor André Coutinho.

Agora, após ser diplomado no último dia 25 de maio, Edvaldo Neto permanece afastado e em seu lugar assumiu o vice, Evilásio Cavalcanti.

NADA DE NOVO NO FRONT

Ou seja, duas eleições em intervalo de um ano e meio e tudo continua como antes na Terra de Ninguém, no faroeste de Cabedelo.

O eleito foi diplomado, mas com sério risco de ser preso por uma investigação pretérita que aponta envolvimento da sua gestão com o crime organizado?!!?

Ou seja, Cabedelo segue às escuras sem saber se viverá de eleições impugnadas, vencedores cassados, eleitos apeados do poder, ou se renderá de vez ao Crime Organizado.

Qualquer semelhança com a mais famosa cidade litorânea do Brasil não é mera coincidência.

Rio de Janeiro, cinco ex-governadores presos, uma cidade sitiada pela milícia e o tráfico de drogas.

“Rio, cidade desespero”

Rio de Janeiro e Cabedelo, duas belas e bestas províncias, retratos deste Brasil!

Escrito por: viniciuscoelho@vf2.com.br