O adocicado pé de jabuticaba, cagados, coelhos, pássaros diversos, até um cervo, sugestivamente batizado de Bambi aparecia em disparada naquela flora/fauna inusitada para uma zona urbana.
Era a casa de Vozinha o refúgio para driblar castigos paternos, quando da imposição de proibição de assistir a futebol como alguma (s) punição por descumprir afazeres ou aprontadas diversas na melhor infância na boa Macuco.
Lá também sempre tinha um bife de carne bovina guardado para me socorrer, às escondidas, da frescura mirim de não gostar de peixe.
Foi também na sagrada residência de minha Vozinha, que descobri que cabo de vassoura não serve apenas para varrer casa.
-Receba, Marco véi.
Mas, alto lá…
O que tem a ver reminiscências de minha memória afetiva na “minha Macondo” com a Copa do Mundo de Futebol?
Explico…
VOZINHA CÁ E LÁ
Os pacotes de figurinha me revelaram que o goleiro de Cabo Verde, aquele país africano mais perto do nosso continente americano, chama-se Vozinha!
Logo fui arrebatado pela mesma curiosidade precoce, que me fez transformar o futebol, além de diversão imediata e paixão pelo jogo, em bússola sócio-histórica-geográfica!
Pois bem, o goleiro de Cabo Verde, país que fala português, assim como nós, tem este apelido, exatamente porque foi criado pelos avós e era a eles que corria quando, ainda garoto, jogava com colegas mais velhos e algo dava errado nas “peladas de rua”.
“Vozinha” era a salvação.
Dele e minha.
De tantos.
Pela dádiva de existirem Vozinhas, a quem dedico este texto, estendido, especialmente, a sua filha, minha madre bolotinha, minha mulher-mãe, Roberta e a todas as mamães, hoje e sempre!