Uma lenda portuguesa com certeza…

Publicado em: 30/07/2026

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Maquiavel já dizia: “a política tem seus próprios valores”.

Isso porque o italiano lá, ídolo do francês Napoleão, não teve o privilégio de conhecer o esporte criado séculos depois por outro povo do Velho Continente: os ingleses.

FOOTBALL, uma arena vil, espelha a sociedade.

O jogo de chutar bola e toda a cultura no seu entorno carrega todos os elementos da vida social humana e mais um tanto de ingredientes…

-Você vai meter Maquiavel, Napoleão e bola agora? Apele não.- intervém logo o sensato.

Veja bem, na verdade eu quero falar de um outro europeu, este do mundo boleiro…

pra tu uma

de pensador

EUROPEUSSSSSSS, como diz o personagem-boneco Tonho de Martinha.

Eles nunca perdoam.

Permanecem implacáveis na apropriação de tudo.

Tem um português praticando com rigor cartesiano a recolonização brasileira.

Desta feita no maior produto nacional: o futebol.

O senhor Abel Ferreira é disparado o maior técnico do futebol brasileiro há pelos menos cinco anos, com folga.

Não sou palmeirense, diante disso não teria propriedade afetiva, de direito, mas por números e feitos, arrisco cravá-lo como o maior da história alviverde.

Méritos inquestionáveis.

Mas aqui, quero aproveitar a referência para um outro viés deste sucesso.

O perfeito entendimento e apropriação de uma prática não tão virtuosa nacional quanto o futebol: o JEITINHO BRASILEIRO, a malícia, a catimba

Via de regra, europeus, ou imigrantes de povos, pretensamente mais civilizados, tendem a chegar em outras localidades cheios de discurso sobre práticas, condutas etc e tal.

Quase um desbravador.

E não é julgamento específico ao “arqueiro verde” (só uma tentativa de trocadilho infame mesmo).

Até um brasileiro de cidade grande gosta de vender hábitos, se gabar do espírito e costume desenvolvimentista de sua localidade quando pisa em lugares mais simplórios.

Mas, imagina esta arrogância eurocentrista casando com o mais nocivo da “alma brasileira”?

BINGO!

Abel Ferreira na desportividade!

Repito,  admiro o lusitano até a bola rolar.

Fora da disputa de jogo, antes dos 90 minutos exposto em tensão e competitividade, é um homem sereno, sábio, preocupado com valores além, muito além jogo.

FAÇA O QUE EU DIGO, NÃO FAÇA O QUE EU FAÇO

Escritor, palestrante de valores externos ao futebol.

Orienta jovens com formação humana, quase um coach comportamental.

Tudo muito bom e bonito nas páginas do manual de vida.

Com a bola rolando se transforma no mais brasileiro (no pior sentido da nossa essência oportunista) do que os brasileiros, ou brasileirismos que ele critica.

Pela vitória, êxito, sucesso, três pontos em campo vale tudo.

Nem falo da exaltação, sangue quente latino, ou coisas do tipo.

Faz parte do jogo.

A questão é que Abel, desde muito tempo aqui, aprendeu as suas técnicas de manipulação do nosso jogo.

“Apita” o jogo todo como muitos nativos, que ele questiona em método e prática, mas vai além, bem além e explico, detalhadamente, já…

Além disso, o esperto Abel parece se transformar em um ingênuo silvícola ao desprezar, ou fingir ignorar a clara diferença de tratamento da arbitragem, decisões de bastidores aos clubes nacionais, a depender do seu DDD.

Ontem, após a polêmica arbitragem (eu gosto de eufemismos) do apitador Alex Stéfano, na coletiva pós jogo, Abel largou:

-Acho que o lance do Maurício foi no limite. Tem os que defendem a expulsão e os que não defendem.

Tudo isso após cravar a assertividade de expulsar os dois do Vitória, adversário da noite.

Ou seja, deu uma de “joão sem braço” na hora de admitir que o seu atleta deveria ter sido expulso.

Só que tem mais ainda.

Ele tenta fingir que não existe um Manual Abel Ferreira de Protocolo para Momentos de Pressão.

O homem atrai a si toda atenção, em momentos de tensão, ameaça de punição aos seus próprios atletas, como forma de desvio de atenção.

No lance específico do Maurício isto foi elevado a uma conduta geral.

O próprio Maurício,  agressor, se atira no chão, Abel estribucha na lateral, o time inteiro cerca o árbitro para falar de receita de bolo…

Um pandemônio dos seiscentos.

Rebuceteio total.

Aquele moralista Abel, pré-jogo, cheio de código de ética, princípios manda os valores à época pelo êxito, sucesso próprio e dos seus comandados.

É a subvertida teologia da prosperidade adaptada ao esporte.

“Os fins justificam os meios” para o melhor técnico brasileiro da atualidade.