Sou VITÓRIA por conta do meu PAI!

Publicado em: 09/08/2026

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Imagina as referências de futebol de um guri de uma pequena cidade no sul baiano, minha Macuco, há 450 quilômetros da capital?

Era década de 80 do século passado, nem sinal de internet, cobertura do futebol baiano restrita ao Globo Esporte Bahia com seus menos de 10 minutos diários divididos entre Bahia, Vitória e otras cositas más.

Fatalmente, seria mais um na multidão, “massa de manobra midiática”, adepto, entusiasmado fanático de qualquer time do eixo RJ-SP, mais fatalmente ainda Flamengo, que ocupou minha infância, de fato.

E aqui, não tem qualquer juízo de mérito sobre a imensa leva de sugados pelo sincronizado sistema de monopolização cultural da bola, apenas a constatação sobre algo pessoal, individual (ô bença):

Sou Vitória por conta do meu pai!

Graças.

pra tu uma

de pensador

Foi meu pai quem me falou primeiro do Vitória.

Como outro natural do Sul da Bahia, meu pai teve apenas um diferente canal de influência futebolística.

Meu pai nasceu na Era do Rádio e eram as ondas radiofônicas, via Rádio Nacional, que levavam os feitos dos times cariocas a todo o Brasil!

Como é quase regra lá e em tantos recantos nacionais, também foi fisgado pelo Flamengo.

Mas, o que reluziam nas suas histórias e experiências boleiras eram o rubro-negro cintilante ao vivo e a cores do Esporte Clube Vitória da juventude soteropolitana dele.

Eram nestes relatos que havia mais emoção, paixão, fulgor, brilho natural em seus olhos e que mais me catalisavam a atenção do que qualquer glória além divisas baianas.

Me fascinava ouvir sobre a Fonte Nova em BAVIS e outros jogos. A resistência, determinação e total paixão da torcida do Leão em tempos de sofrimento extremo, seca de títulos e outros tipos de miserêêê

Na narração de meu pai, talvez nem ele percebesse, mas Mário Sérgio, André Catimba e o pequenino Osni ganhavam contornos maiores, bem maiores que a constelação de Zico, Nunes, Adílio etc.

Foi meu pai quem me levou primeiro a um jogo de futebol.

Estreia graúda.

BAVI pelo baiano de 1988, eu tinha apenas sete anos de idade, “programa de outro mundo” para um garoto desde o berço apaixonado por futebol.

Minha primeira coleção de revistas recém alfabetizado foi a Placar,  que devorava cada linha e decorava todo resultado de qualquer campeonato.

Minha estreia com o Leão teve a costumeira Fonte abarrotada e uma derrota por 3 a 1, apesar de termos aberto o placar em gol relâmpago de um ídolo precoce meu: Hugo.

Lembrem que eu disse 1988.

Ano do título brasileiro, glória máxima deles ao fim daquele mesmo ano.

DEUS ME LIVRE NÃO SER VITÓRIA!

No dia seguinte ao jogo andando pela orla de Itapuã, outra referência máxima paterna, fui abordado por um nativo, que largou a clássica questão filosófica soteropolitana: “Você é Bahia, ou é Vitória?”.

Olhei para o meu pai, não em sinal de consulta, mas de orgulho leal e larguei resoluto: SOU VITÓRIA!

           SOU VITÓRIA POR CONTA DO MEU PAI!

Subscrevo Wagner Moura: “Ser Vitória é parte fundamental da minha vida” e isto talvez seja das coisas menos importantes que meu pai tenha me legado

Ser filho de Pel Magalhães é essência disso e muito, muito mais!