Como é quase regra lá e em tantos recantos nacionais, também foi fisgado pelo Flamengo.
Mas, o que reluziam nas suas histórias e experiências boleiras eram o rubro-negro cintilante ao vivo e a cores do Esporte Clube Vitória da juventude soteropolitana dele.
Eram nestes relatos que havia mais emoção, paixão, fulgor, brilho natural em seus olhos e que mais me catalisavam a atenção do que qualquer glória além divisas baianas.
Me fascinava ouvir sobre a Fonte Nova em BAVIS e outros jogos. A resistência, determinação e total paixão da torcida do Leão em tempos de sofrimento extremo, seca de títulos e outros tipos de miserêêê…
Na narração de meu pai, talvez nem ele percebesse, mas Mário Sérgio, André Catimba e o pequenino Osni ganhavam contornos maiores, bem maiores que a constelação de Zico, Nunes, Adílio etc.
Foi meu pai quem me levou primeiro a um jogo de futebol.
Estreia graúda.
BAVI pelo baiano de 1988, eu tinha apenas sete anos de idade, “programa de outro mundo” para um garoto desde o berço apaixonado por futebol.
Minha primeira coleção de revistas recém alfabetizado foi a Placar, que devorava cada linha e decorava todo resultado de qualquer campeonato.
Minha estreia com o Leão teve a costumeira Fonte abarrotada e uma derrota por 3 a 1, apesar de termos aberto o placar em gol relâmpago de um ídolo precoce meu: Hugo.
Lembrem que eu disse 1988.
Ano do título brasileiro, glória máxima deles ao fim daquele mesmo ano.
DEUS ME LIVRE NÃO SER VITÓRIA!
No dia seguinte ao jogo andando pela orla de Itapuã, outra referência máxima paterna, fui abordado por um nativo, que largou a clássica questão filosófica soteropolitana: “Você é Bahia, ou é Vitória?”.
Olhei para o meu pai, não em sinal de consulta, mas de orgulho leal e larguei resoluto: SOU VITÓRIA!
SOU VITÓRIA POR CONTA DO MEU PAI!
Subscrevo Wagner Moura: “Ser Vitória é parte fundamental da minha vida” e isto talvez seja das coisas menos importantes que meu pai tenha me legado…
Ser filho de Pel Magalhães é essência disso e muito, muito mais!