Quando Eco, um tal Humberto, falava sobre a legião de imbecis, ele se referia a este fenômeno de repercussão, alcance e relevância que estas falas, pensamentos absurdos, torpes alcançavam.
A liberdade individual para proferir conceitos vazios, teses estapafúrdias, teorias canalhas, ou mesmo mentiras deliberadas, já tem um tempinho em voga.
Mas, o eco (sem trocadilhos), amplificação alcançado na era das “redes sociais” deu outra e espantosa proporção a distopia.
A superficialidade/efemeridade dos canais internéticos somados a capacidade de vincular, conectar aloprados de partes e realidades tão distintas, praticamente “pariu” uma nova espécime.
Os orgulhosos ignorantes do mundo digital.
“Filhotes de Olavo de Carvalho”, leitores contumazes da obra-prima “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”, ou o best-seller do mesmo mestre, “O Imbecil Coletivo”.
Se arvoram na segurança de esconderem-se atrás das telas, no conforto covarde dos próprios lares e se empoderam em bando algorítimico para destilar pressupostos sem qualquer embasamento científico, ausência completa de raciocínio lógico, via de regra, preconceituosos, elitistas, racistas, homofóbicos.
Mais ainda, tornado públicos sobre bandeiras de vazio conceitual e falsa moral, bons costumes, modelos de família e valores cristãos.
Um combo perverso e infame do que há de pior no status quo da contemporaneidade.
E com capacidade de reprodução inesgotável.
Se multiplicam tal qual lactobacilos vivos.
Crentes (mais uma vez sem trocadilhos, juro) que, por se verem refletidos em pares tão igualmente sem-noção, normalizam a própria alienação/demência/insanidade.
Uma imbecilidade contada mil vezes não os fazem portadores de qualquer conhecimento, apenas inserem-nos em uma manada de asnos…