Colorindo em vermelho e preto o branco da minha memória

Publicado em: 25/07/2026

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-Rapaz, eu lembrava disso nada…

Não chego a ser uma pessoa desmemoriada, ou com problemas crônicos de memória, mas tenho significativos lapsos de lembrança de vários episódios cotidianos, rotineiros, atropelados no nosso dia a dia.

Incluindo fatos que, a terceiros são excepcionais!

O curioso é que, por evidências várias, percebi, que involuntária e intuitivamente, criei um método para armazenar recordações.

Minha memória é muito organizada em torno do futebol, mais precisamente do Vitória!

pra tu uma

de pensador

-Que ano foi isso?- pergunto a quase tudo para me situar cronologicamente e me transportar aquele período de acordo com os jogos do ECV em determinada temporada!…

De imediato me vem a mente uma miscelânea de cores, sensações, que muitas vezes até machucam a alma (só quem é torcedor sabe a dor e a delícia).

E assim também estabilizo os fenômenos que ocorreram nos arredores, em paralelo aquele ano/momento/episódio fatídico, ou glorioso do meu Leão!

Nem adianta você daí tentar atribuir algum juízo de valor a este método.

Repito, além óbvio da representatividade do Vitória na minha vida, do acompanhar/viver a jornada do clube ativa e perenemente, o fato de ser ele minha bússola cronológica a reavivar lembranças, é muito fortuito, acidental, na perspectiva de escolha estratégica

Não há estratégia, ou não havia.

Agora, de fato, que identifiquei o fenômeno, já fico mais esperto.

Exemplo prático.:

Dia desses um amigo lembrava de um dos primeiros shows nossos aqui por João Pessoa: finado Raimundos 9sim a banda morreu) lá no Clube Cabo Branco.

Ele teimava que era 2000, talvez 2001…

Eu finquei pé: 1999.

Por que tanta certeza?

Era um domingo, dia de quartas de final do brasileirão (e eu tenho viva a lembrança de só sair após o segundo jogo do duelo (eram três partidas à época).

Ah, nem faz diferença à narrativa, mas este sofrido interlocutor também merece exaltar as glórias…

Portanto, quero frisar que, no confronto geral, eliminamos a constelação carioca de Edmundo, Felipe, Juninho Pernambucano, Mauro Galvão e cia.

Outra, agora mais caseira:

Dia desses estava assistindo à distância aquele gostoso debate trivial familiar sobre vivências compartilhadas com meu filho mais velho e o do meio.

A popular arrilia, baiana, no caso protagonizada por dois paraibanos.

O mais velho, claro só provocava o menor com coisas que havíamos feito juntos.

Chegou a minha vez de intervir na treta saudável.

Qual o marco pacificador do debate? O Vitória, claro.

Em um oportunista gesto de isenção a “memória leonina” me deu o álibi.

Explico:

Ano passado levei o Ben pela primeira vez ao Barradão e ele questionava com quantos anos o irmão havia ido a primeira vez etc e coisa e tal.

E aí, eis que o destino em tons rubro-negros me salvou (“Deus me livre não ser Vitória”):

De imediato fui transportado a 2008, quando Tom com os mesmos tenros oito anos de Ben conheceu o santuário pela primeira vez e presenciou uma epifania de 5 a 2 contra o Botafogo (contra quem inclusive jogamos esta semana pelo mesmo Brasileirão, só que com muito menos magia celestial).

-Já Benjamin, pé-frio, foi assistir uma derrota por um a zero para o Fluminense

–Mas, pelo menos entrei em campo com os jogadores, já você se arrumou todo e ficou de fora- retruca o filho do meio, naquela pegada petulante característica a posição na escala filial. E com razão, em partes, afinal o trânsito soteropolitano impediu nossa chegada a tempo da cerimônia pré-jogo há quase 20 anos…

Logo aponta Vico querendo entrar na algazarra.

Já tiro o caçula da rota em instinto de preservação natural.

-Não vá aí que é barril pra você. Não há nada que você vá lucrar neste bololô.

Fato é que o caçula, Vico, fatalmente gozará deste privilégio antes, pois o infante já tem aguçado o gosto de “torcer”, bem mais precoce e vívido na relação com o ECV.

Tudo espontâneo, sem qualquer influência paterna, claro.