“Toda unanimidade é burra”, já dizia o senhor Nelson Rodrigues, gênio controverso, mas, pelo bem, pelo mal, pai da ideia que batiza este espaço aqui.
Noves fora as polêmicas em torno das posições políticas do autodeclarado reacionário escritor (aquele que se anunciava conservador, mas ficou, nacionalmente famoso como “O Anjo Pornográfico”), é inegável a assertividade deste axioma (toma um AXIOMA nas têmporas).
E olha que o reacinha Rodrigues nem viu a era da internet e sua legião de imbecis comentando à torto sobre tudo e além, cheio de “é a minha opinião”!
Menos ainda viu o fenômeno mais raro que Cometa Halley de políticos de todas as matizes, faunas e floras, marchando em bloco uniforme, fazendo côro unpissono, dando na mesma tecla.
“Eu não espero pelo dia em que todos os homens concordem”
Nem eu, Caê.
Tenho é medo!
Mas, imagina quando a tal unanimidade burra encontra a canastrice política!?!?
“Nunca antes na história” se registrou uma bancada parlamentar de algum estado votando em bloco, fechada por qualquer causa.
Nem mesmo temas caros a regionalidade local, como a Transposição do São Francisco etc.
Ainda assim divergiam quando da viabilização do projeto.
Não seria diferente com o fim da escala 6×1, certo?
E-R-R-A-D-O.
VOLTA A FITA ROTEIRISTA
Para entender a manobra rasteira dos farsantes, voltemos no tempo.
Exatamente um ano antes da votação, maio de 2025, pesquisas indicavam que 70% dos deputados federais brasileiros eram contra o fim da escala 6×1.
Como mostrava o dado, não estamos falando apenas do senhor Nikolas Ferreira e sua campanha aberta em favor, única e exclusivamente dos empregadores, a quem clamava por uma bolsa reparação.
Qualquer semelhança com o movimento do Congresso em busca de indenização aos ex-donos de escravos, pós Lei Áurea, não é mero acaso.
Aqui mesmo, na bela e besta província Parahyba, o Cabo Gilberto, aquele dublê de boneco de ventríloquo bolsonarista, ocupava todo espaço para repetir, como uma caixa de ressonância, o mesmo alarmismo e inverdades alardeado por Ferreirinha e afins…
Pois bem, nem Nikolas, quiçá o senhor Gilberto, sustentou a postura quando as redes sociais, pesquisas de popularidade e toda consulta pública indicavam o risco eleitoral que ir contra o trabalhador representava.
Do nada, do nadão, o nosso nobre parlamento se convenceu da BOA CAUSA e, quase unissonamente, ficou ao lado do povo; mais de 90% de adesão dentre os 513 deputados federais.
Em um intervalo de um ano o jogo virou, completamente.
Um fenômeno, como uma onda no mar…