Ontem o Japão encontrou o projeto de jogo dos sonhos.
Um gol em transição rápida e depois bloco baixo para novas investidas rápidas.
Assim terminou o primeiro tempo.
Erro individual de Danilo (passe ferindo todos os fundamentos), Casemiro (já amarelado não pôde fazer a falta tática) e Gabriel Magalhães (desprevenido, preferiu a corrida pra trás, ao invés de dar o combate).
FORÇA E FOCO
Reagimos mental, emocional, tática e tecnicamente.
Abafamos, sufocamos o Japão no segundo tempo, inclusive impedindo as transições fulminantes deles, a não ser em dois, três avanços (inevitável naquelas circunstâncias).
Como sempre apronta o destino futebolístico, os questionados Casemiro e Gabriel Magalhães articularam o primeiro gol, de empate.
Na sequência, Vini Jr, o melhor jogador da Copa até agora (pode começar a treta), quase faz o que seria o gol mais bonito do mundial.
Um capricho, ou melhor milagre “suzukiano”, jogou a redonda na trave, após Vini bagunçar a defesa japonesa mais que terremoto por lá, em arrancada técnica desde o meio de campo, com impressionante controle absoluto da bola por 50/60 metros.
Um crime!
Antes tivemos chances claras com cabeceios à queima roupa do próprio Casemiro e Bruno Guimarães.
O último, por sinal, alcançou a impressionante marca de quatro assistências em quatro jogos.
O maior passador decisivo do mundial.
Martinelli anotou no “apagar das luzes” e o Brasil passou, com méritos, totais méritos.
O IMPORTANTE É COMO TERMINA, NÃO COMO COMEÇA
Time cresce na reta decisiva, ganha corpo e musculatura para sair de situações adversas.
Mais que isso, demonstra força ofensiva. Após um primeiro tempo abaixo, empenado, só jogando pela esquerda com Vini Jr, na etapa final espalhamos o campo.
Rayan entrou na partida e fez uma segunda etapa mágica, naquela intensidade (atacando e defendendo), roubou mais uma bola que resultou em gol.
Danilo, que causou a jogada do gol japonês, cresceu, fez ultrapassagens.
Aliás, partida com mais avanços e chegadas ao fundo dos dois laterais, o que indica a supremacia brasileira absoluta no campo do Japão, visto que o esquema, estrutura de Ancelotti é de alas defensivos mesmo.
Por sinal, respeita o Mister.
Além de conhecimento inquestionável, tem estrela, brilho.
Inclusive demonstra razão na “segurada” sobre Endrik.
A entrada do jovem prendeu defensores japoneses, deu mais briga de área, mas apresentou as razões para ainda ser tratado com cautela pelo italiano.
Intenso, mas afobado em muitos lances. Quer resolver cada jogada como se fosse a última, o que leva a escolhas erradas.
Faz parte do processo.
De toda forma, ganhamos ele, já com mais minutagem, rodagem para evoluir aos próximos jogos.
“Apresentamos” Martinelli, que adquire envergadura com um gol tão emblemático e sai da figura de apenas coadjuvante, jogador versátil para protagonista.
Espero que recuperemos o mental de Gabriel Magalhães, que continua inseguro defensivamente, mas se mostrou um importante elemento na construção, virando inclusive lançador no segundo tempo.
E o Casemiro, que apesar de ainda abaixo, muito abaixo, tem liderança e pode crescer com o gol em confiança.
De preocupante apenas a recomposição defensiva, lenta e difícil de reorganizar em transição rápida, triangulações.
Toda investida é um “Deus nos acuda”.
CAMISA PESADA
Enfim, Alemanha e Holanda, dois virtuais favoritos caíram.
Como eu disse anteriormente, apenas França e Argentina (até agora) mantem atuações em padrão irretocável.
Abaixo deles, ainda, está o Brasil.
Ninguém mais jogando acima de nós.
Estamos no páreo.
Se será suficiente para ser campeão, é outra história, mas sonhar já não é devaneio.