O dito popular era usado para ilustrar um lugar amaldiçoado, um ambiente carregado, que não prospera.
Qualquer semelhança com a Prefeitura de Cabedelo, não é mera coincidência.
Mais um.
Mais um prefeito da cidade litorânea cassado.
André Coutinho (Avante), a vice-prefeita Camila Holanda (PP), além do vereador Márcio Alexandre (União Brasil) foram condenados por abuso de poder político e econômico, com uso de recursos públicos para favorecimento eleitoral.
Na sentença, proferida pela juíza Thana Michelle Carneiro Rodrigues, da 57ª Zona Eleitoral, também determinou-se a inelegibilidade, por oito anos, do ex-prefeito Vitor Hugo Castelliano (Avante).
Como soi praxe, os condenados já alegaram inocência, que provarão no processo e piriri pororó.
Faz parte do rito e o amplo direito a defesa é constitucional.
Só não há contraditório, fica impossível negar o histórico nefasto da gestão pública sobre aquela que é uma das três cidades mais ricas da Paraíba.
A portuária Cabedelo e seu ciclo político nebuloso.
Um município que já foi inclusive vendido de porteira fechada por prefeito e vereadores.
Não é prerrogativa, exclusividade cabedelense os escândalos de corrupção avolumados e seqüenciados.
Nem precisa-se ir muito longe.
Basta revisitar os anais de outras cidades da Região Metropolitana de João Pessoa, como Bayeux e Santa Rita, com suas “danças da cadeira” e esquemas diversos.
Mas, nenhuma, nenhuma se iguala a venda de uma cidade!
Só Cabedelo construiu um roteiro digno de trama policial cinematográfica, no escândalo, nacionalmente conhecido através da Operação Xeque-Mate.
Prefeito, quase uma dezena de vereadores, dono da maior rede de shoppings da capital, radialista, empresários diversos, entranhados em um mega-esquema de corrupção que ia de funcionários fantasmas, passava por fraudes na coleta de lixo e ia até desvio na Operação Tapa Buracos.
No escopo da venda de mandato de prefeito também acordos para evitar a construção de um shopping center concorrente ao empresário Roberto Santiago, citado e condenado na investigação.
Cabedelo, um típico caso de um município a serviço de interesses privados!
Uma história cíclica que teima em se repetir como uma espécie de destino amaldiçoado.
A sina trágica cabedelense.