Um jardim inteiro de flores ao Mestre

Publicado em: 21/07/2026

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Homenagem se faz em vida!

Era a primeira e única frase que me vinha à mente sobre aquela apoteose!

“É isso que eu acho mais importante. E eu tive a sorte de poder viver aquele momento, desfrutar de tudo aquilo na noite do último sábado”

Esta foi uma das primeiras falas de Escurinho sobre a Ciranda que montaram para celebrar a sua vida e obra e a qual eu me referia no começo do texto!

Isto me tranquilizou sobre o rumo da narrativa.

Naturalmente, não peço licença poética, para descrever minhas impressões sobre coisa alguma.

Mas, aqui, no caso em questão, trato de uma referência, símbolo da arte paraibana e da minha formação nesta terra, além de tratar de temas tão caros, sensíveis.

Ironia do destino um pernambucano radicado paraibano, indireta e inconscientemente, sendo guia da Paraíba a mim baiano, assim como a vários paraibanos de nascença, mesmo, tenho certeza.

Fato é que o aval me dava salvo-conduto.

E assim sob o lema de celebração à existência de Escurinho montaram um jardim inteiro (“ÊÊÊ Belo Jardim”) para o maior floricultor da música paraibana!

“Ciranda para Escurinho” foi o nome dado ao evento que celebrou a vida e obra de um dos mais férteis compositores, exímios músicos e queridos personagens do cancioneiro local.

No palco mais de uma dezena de representantes da cena local, alguns contemporâneos ao mestre e outros tantos novos nomes da arte que pulsa nas bandas da Parahyba (Chico César, Adeíldo Vieira, Totonho, Sandra Belê, Seu Pereira, Val Donato, Filosofino, Nathália Bellar, Titá Moura e tantos, tantos outros)

Na plateia um Teatro de Arena como não me recordo ter visto, em quantidade de gente e circulação de energia:

“…aquela energia da ciranda… foi feito um encontro de pessoas amigas, produtores de várias idades, jovens, crianças, idosos como eu… tudo para homenagear um artista, a vida, a obra deste artista enquanto ele está vivo, aqui entre nós.”- Escurinho

Uma potência arrebatadora, capaz de regar e espalhar seiva por ali e alhures, que só a arte transcendental é capaz de fazer.

A obra de Escurinho, aquela que nos aponta com quantas flores se faz um jardim...

pra tu uma

de pensador

“BOA NOITE, BOA NOITE…”

Só de registro de presença desobrigatório via sympla, “duas mil pessoas”- me conta a companheira de vida, corpo e alma, Esther Rolim, que também segura as estruturas d’A casa vai cair, produtora de Escurinho e além.

“A coisa foi tomando uma proporção, que fugiu ao nosso controle, projeto inicial. A Ciranda foi apropriada pela cultura, arte e amigos queridos de Escurinho. Um presente da cidade a ele, que tanto deu e dá a João Pessoa” –              Esther Rolim

Se duas mil pessoas, sem geração de ingressos, se dispuseram a registrar ida, fatalmente, pelo que vi e conheço do espaço, circularam mais de quatro mil pessoas pelo jardim de Escurinho (Teatro de Arena) naquele sábado, 18 de julho, mágico.

 

“SE QUER ME DAR FLORES,QUE ME MANDE AGORA…”

A “Ciranda para Escurinho” nasceu de uma adversidade, como uma natural força da natureza resistindo a intempérie.

O diagnóstico de Mieloma Múltiplo (um tipo de câncer do sangue que afeta a medula óssea e causa vulnerabilidade e danos aos ossos e rins), inescapavelmente, foi um choque ao mirrado, no físico, mas ativo, enérgico, incendiário homem-artista na casa dos seus quase 65 anos.

Claro, as dificuldades, custo do tratamento, somadas as interrupções das atividades (incluindo as aulas-oficinas de percussão para mulheres), foram o combustível para a empreitada.

Mas, tudo isso aliado aquele sempre necessário pólen para florir e manter viva a beleza da obra de Escurinho

Amigos de sempre como Lau Siqueira, Naldinho Freire entre outros começaram a gestar a ideia, que logo se expandiu e adquiriu contornos babilônicos (Jardim da Babilônia).

A campanha continua através do link.

A energia sensorial em torno e direção a Escurinho  já está circulante e ativa, mas quem puder ajudar a regar este campo florido basta acessar o Qrcode abaixo:

Dando sequência a série de iniciativas em torno da vida e obra do mestre Escurinho, próximo dia 31 de julho acontece o Forró para Escurinho, no Recanto das Três Ruas, também com participação de vasto cast de arftistas e amigos.

Parafraseando o próprio: sem USURA, se sabe que dinheiro para algumas necessidades da sociedade moderna é, de fato, um problema, mas se tem algo que não falta a Escurinho e anda a frente disso tudo é : CORAGEM!

“Serão cerca de dois anos de tratamento entre quimioterapia e autotransplante. Depois estarei de volta aos palcos e outros lugares…”

Vida longa ao Mestre!